Onde Tudo Está

"Aos doze anos, Beatriz Monteiro viu seu pai perder completamente a visão. O último olhar foi acompanhado da pergunta: "Estou bonito?". Eles se preparavam para uma festa de casamento.

Onde Tudo Está  apresenta imagens de um espaço interpretativo, entre os polos de ausência e presença, luz e escuridão. Um percurso que alinha tempo e lembranças, investigação e procura, ante o retrato interrompido.

 

Entre frestas e silêncio, uma nova relação entre filha e pai foi sendo construída na sombra. E é através da sombra que Beatriz tenta acessar sentidos e decifrar ausências internas em busca da criação de novos afetos e de um senso de pertencimento.

 

Moldado pela dialética ver/não ver, o olhar da artista torna-se especialmente enigmático: aquilo que se esconde ou é sugerido fala tanto quanto aquilo que se revela ou é explicado. Nesse jogo, objetos íntimos são convertidos em símbolos que extrapolam e ressignificam a memória.

O que existe entre luz e sombra? Com questões como essa, a fotógrafa tenta decifrar, em seu mundo particular, o eco dessa dualidade. Outros sentidos se integram às vivências da autora, assim como novos modos de ver. 

Beatriz apresenta, em Braille, uma foto feita por ela - o retrato de uma oliveira.

Essa lembrança de histórias contadas recria uma imagem emoldurada por um sentimento onde se sente o cheiro do mato, o som das folhas e o vento no rosto.

O ciclo se fecha.

A imagem, vista e sentida pelo toque, conecta luz e escuridão.

Um presente para seu pai e um (re)encontro.

Mônica Maia

Acompanhamento curatorial.

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